“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”. Dialogando com esse pensamento da historiadora paulista Emília Viotti da Costa, a equipe de educação do Navegando na Poesia realizou na última sexta-feira (21) uma imersão cultural no Centro Histórico do Rio de Janeiro. O passeio incluiu visitas ao Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), ao Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), ao Largo de São Francisco da Prainha e ao Museu de Arte do Rio (MAR), integrando o processo de formação continuada da equipe.
— A visita a esses espaços foi uma oportunidade estratégica de aprendizado e fortalecimento do grupo de educadores do projeto, realizado pela Associação Raízes em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental — explica a coordenadora pedagógica Tatiany Arêas. — Nossa equipe atua diretamente com educandos em 43 escolas da rede municipal, em 11 municípios da Bacia de Campos. E durante a atuação, são vivenciados diversos contextos sociais, tais como comunidades periféricas, quilombolas, rurais, pesqueiras, entre outras. Diante disso, é fundamental fortalecer o conhecimento dos educadores, incentivar o aprofundamento em diferentes formas de expressão e arte, e prepará-los para o enfrentamento a variadas realidades sociais, visando a aprimorar a atuação nesses territórios — complementa.
Originalmente, a viagem da equipe ao Rio de Janeiro teve como objetivo conferir a exposição “FUNK: Um grito de ousadia e liberdade”, em cartaz no MAR até o próximo domingo (30). Trata-se de uma mostra coletiva, com curadoria do museu junto a Taísa Machado e Dom Filó, apresentando e articulando a história do funk para além da sua sonoridade. Na exposição, são evidenciadas a matriz cultural urbana e periférica do gênero musical, bem como sua dimensão coreográfica e seus desdobramentos estéticos, políticos e econômicos no imaginário popular.
— Pensada pelos educadores, essa visita foi aprovada tanto pela coordenação quanto pela Petrobras, pois proporciona troca de ideias, reflexões e inspirações para novas abordagens em oficinas e eventos. Tivemos um aprofundamento sobre questões sociais, culturais e educacionais, o que vai nos ajudar a integrar novas metodologias e perspectivas em nosso trabalho com as comunidades escolares — ressalta o educador Lázaro Licasalio, um dos proponentes.
Aproveitando a proximidade do MAR com a região da Pequena África, outros espaços culturais foram inseridos no passeio. No MUHCAB, os integrantes do Navegando na Poesia participaram de uma atividade reflexiva sobre os processos de resistência e reexistência dos negros na capital fluminense, com forte presença na formação cultural da cidade e do país. No IPN, a reflexão sobre o enfrentamento ao racismo teve maior impacto diante do cemitério dos Pretos Novos, onde eram sepultados escravizados recém-chegados ao Rio. Também foi apreciada no espaço a exposição “Saberes ancestrais não cabem na sala de aula”, de Cláudia Fassini, sobre religiões de matriz africana. Já no Largo de São Francisco da Prainha, as atenções estiveram voltadas especialmente à estátua da campista Mercedes Baptista, primeira mulher negra a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.